AEO, GEO, AIO e SXO são nomes novos para o mesmo SEO?
Todas as semanas aparecem siglas novas ao lado do SEO. Explicamos o que cada uma quer dizer, se o site precisa de um MCP para ser encontrado pela IA e o que um site institucional precisa para aparecer nas respostas do Google, do ChatGPT e de outras IAs.
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Pedro Licio
Estratégia & Tech · ver perfil →
Nos últimos meses, quem acompanha o marketing digital começou a ver várias siglas novas ao lado de SEO. AEO, GEO, AIO e SXO aparecem em artigos, propostas e cursos, muitas vezes como serviços separados, cada um com o seu preço.
Na maior parte, são nomes novos para o mesmo trabalho de SEO. Cada sigla olha para um sítio diferente onde a resposta aparece (o Google, o resumo de IA do Google, o ChatGPT), mas o que faz um site aparecer nesses sítios é quase sempre o mesmo.
O que quer dizer cada sigla
- SEO (Search Engine Optimization, ou otimização para motores de pesquisa). É o trabalho de fazer o site aparecer no Google e no Bing quando alguém pesquisa o que a empresa vende.
- AEO (Answer Engine Optimization, ou otimização para respostas). Foca-se em aparecer como a resposta direta a uma pergunta, como o excerto em destaque no topo do Google ou a resposta de um assistente de voz.
- GEO (Generative Engine Optimization, ou otimização para IA generativa). Foca-se em ser citado nas respostas do ChatGPT, do Gemini, do Claude e do Perplexity.
- AIO (AI Optimization). O nome é usado de formas diferentes, mas quase sempre se refere aos resumos gerados por IA no topo do Google (AI Overviews) e ao Modo IA do Google.
- SXO (Search Experience Optimization, ou otimização da experiência de pesquisa). Foca-se no que acontece depois do clique. A página responde ao que a pessoa procurou, abre depressa no telemóvel e leva ao contacto ou à compra.
O que dizem o Google e a OpenAI
O Google tem uma página oficial sobre os recursos de IA da pesquisa (AI features and your website). Nela, o Google afirma que não há requisitos adicionais para aparecer nos AI Overviews ou no Modo IA, nem otimizações especiais necessárias. Diz também que não é preciso criar ficheiros novos para máquinas, ficheiros de texto para IA nem marcação especial, e que não existe um dado estruturado (schema) específico para isso. As boas práticas de SEO continuam a valer.
A OpenAI explica na documentação dos seus robôs (Overview of OpenAI Crawlers) que o robô OAI-SearchBot é o que mostra sites nas respostas de pesquisa do ChatGPT. Para aparecer, o site tem de permitir esse robô no ficheiro robots.txt. Quem bloqueia o OAI-SearchBot não aparece nas respostas de pesquisa do ChatGPT.
Ou seja, as duas empresas pedem a mesma base do SEO. O site tem de poder ser lido pelos robôs e ter conteúdo útil para quem pergunta.
O que muda de facto
- Mais respostas sem clique. A pessoa lê o resumo da IA e às vezes não entra em nenhum site. Por isso, ser citado com o nome da marca passa a contar, mesmo quando não há visita.
- O que outros sites dizem da empresa. A resposta da IA junta informação de várias fontes. Avaliações, perfis, diretórios e notícias sobre a empresa também entram na resposta.
- A medição. O Google informa que as aparições nos AI Overviews e no Modo IA entram no relatório de desempenho da Search Console, junto com a pesquisa normal, no tipo de pesquisa “Web”. Para já, não há um relatório separado só para a IA.
O meu site precisa de um MCP para ser encontrado pela IA?
Não. O MCP (Model Context Protocol) é um padrão aberto, lançado pela Anthropic em 2024, que permite a um assistente de IA usar as ferramentas e os dados de outro sistema. Serve para a IA fazer alguma coisa nesse sistema, como consultar o stock de uma loja, ver os horários livres de uma agenda, preparar um orçamento ou abrir uma encomenda.
Para encontrar e citar um site, as IAs leem as páginas com os seus robôs de pesquisa, da mesma forma que o Google faz. A documentação do Google e a da OpenAI citadas acima não pedem MCP, conector nem ficheiro especial para mostrar um site nas respostas. Pedem que o site possa ser lido e tenha conteúdo útil.
Quando é que um site precisa de um MCP
O MCP passa a fazer sentido quando o negócio quer que a IA execute uma ação no seu sistema, com dados que mudam a toda a hora. Por exemplo:
- Loja online. A pessoa pergunta à IA se um produto tem stock no seu tamanho, quanto custam os portes ou onde está a encomenda, e a IA consulta a loja no momento.
- Marcações. Clínica, cabeleireiro ou consultório em que a IA vê o horário livre e faz a marcação.
- Orçamento com regras. Serviço em que o preço depende de medidas, quantidades ou zona, e a IA calcula o valor com as regras da empresa.
- Área de cliente. Sistema com login em que o próprio cliente quer usar a IA para consultar a conta, as faturas ou as encomendas.
Nestes casos, o MCP é um projeto de software. É preciso definir o que a IA pode e não pode fazer, controlar quem acede aos dados e mantê-lo como qualquer outro sistema da empresa. Um site institucional que só apresenta a empresa e os serviços não tem uma ação para oferecer à IA, por isso não precisa de MCP.
O que um site institucional básico precisa para aparecer nas respostas das IAs
A expressão mais usada é esta, aparecer nas respostas das IAs. Também se fala em ser citado pela IA. O caminho é o mesmo do SEO, com alguns cuidados.
- Deixe os robôs lerem o site. Peça a quem trata do site que confirme se o robots.txt permite o Google, o Bing e os robôs das IAs que quer que citem a empresa, como o OAI-SearchBot da OpenAI.
- Confirme se o site está indexado. Registe o site na Google Search Console e no Bing Webmaster Tools. As duas ferramentas são gratuitas e mostram que páginas os motores de pesquisa já conhecem e quais têm algum problema.
- Tenha uma página para cada serviço. Uma única página com tudo junto dificulta ao motor de pesquisa e à IA perceberem o que a empresa faz. Cada serviço deve ter a sua página, o seu título e a sua descrição.
- Responda no texto às perguntas que o cliente faz. Preço ou intervalo de preços, prazo, zona servida, como funciona o serviço, o que está incluído. A IA só cita o que está escrito em algum lado.
- Mantenha os dados da empresa iguais em todo o lado. Nome, morada, telefone e horário iguais no site, no Perfil da Empresa no Google e nas redes sociais. Para um negócio local, o Perfil da Empresa no Google completo e com avaliações conta tanto como o site.
- Use dados estruturados (schema) para descrever a empresa, os serviços e os autores. Ajudam o Google a perceber a página, mas não garantem que ela apareça na resposta da IA.
- Cuide da página depois do clique. Tem de abrir depressa no telemóvel, responder logo ao que a pessoa procurou e ter um botão de contacto fácil de encontrar.
- Desconfie de otimização para IA vendida como um ficheiro, uma marcação ou um conector especial. O Google diz que isso não é necessário. O llms.txt, um ficheiro de texto que resume o site para as IAs, pode existir, mas não substitui nenhum dos passos acima.
Resumo
AEO, GEO, AIO e SXO lembram onde as respostas aparecem hoje e o que acontece depois do clique. O trabalho por trás continua a ser o do SEO, com um site que os robôs conseguem ler, texto que responde à pergunta do cliente, dados da empresa iguais em todo o lado e uma página boa para quem chega. O MCP é outra coisa. Serve para a IA fazer uma ação no sistema da empresa e só entra quando existe uma ação para oferecer.
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